União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Pág. 3 - Vigilância e oração por Catarina Ângela

Reconhecendo na reencarnação uma Lei inconteste, dentre tantas outras com as quais a Providência Divina rege-nos a Vida, chegamos à conclusão que envergamos, através dos milênios, milhares de personalidades sedimentadas, mas nem sempre bem resolvidas no passado, e que hoje temos a oportunidade evolutiva mais adequada em novos programas tecidos na esperança de redenção espiritual.

Aqui chegando, ao empreender nova reencarnação, não recordamos de fatos ocorridos, nos quais nos comprometemos com a Lei de Causa e Efeito, mas trazemos a experiência impressa em nossa consciência acusando-nos pelos sentimentos de culpa ou absolvendo-nos quando já efetivamos o resgate dos erros passados, na conquista do equilíbrio espiritual.

Objetivando auxiliar-nos de forma efetiva, o Mestre Jesus incluiu na oração dominical uma expressão densa de significado dentro dos preceitos doutrinários do Espiritismo: “Não nos deixeis cair em tentação...” Mas, o que é tentação? Deus pode impedir-nos de cair nas tentações? Longe de representar ameaças externas, a tentação é sinônimo de fraqueza espiritual, fragilidade moral, desequilíbrio interior... As ameaças externas funcionam como sugestões vocativas que fazem aflorar, da argamassa das experiências passadas, nossas tendências mais recônditas, inconscientes e confusas que emergem na condição de tentações.

É fácil exemplificarmos de forma simples e clara buscando suporte na ideia de Emmanuel, de que um prato de brilhantes não aguça o apetite de um cavalo, mas desperta a ambição que pode levar um homem ao crime. Esse autor escreve-nos pela pena psicográfica de Chico Xavier: “Nas raízes de nossas tendências encontramos as mais vivas sugestões de inferioridade.” (Fonte Viva)

Assim sendo, como conciliar a Providência Divina, sua intervenção na vida das criaturas e o livre arbítrio que o Espírito goza, com responsabilidade total de seus atos, suas escolhas, decisões e mais: sentimentos e pensamentos? A observação de Allan Kardec à resposta da questão 393 de O Livro dos Espíritos é incisiva: “Se durante a vida corpórea não temos a lembrança precisa daquilo que fomos... temos, entretanto, a intuição... E nossa consciência – que representa o desejo por nós concebido de não mais cometer as mesmas faltas – adverte que devemos resistir.”

Inicia-se, então, o processo de autovigilância, no conhecimento de si mesmo (Santo Agostinho em O Livro dos Espíritos questão 919). Quando decidimos por resistir temos, na oração, o reforço da Espiritualidade em nosso favor, saindo do porão de nossas tendências e automatismos para o plano mental que nos coloca em relação com as fontes do Bem, planos mentais tão bem descritos por André Luiz/ Chico Xavier ( No Mundo Maior, capítulo 3).

Desencadeamos, então, forças espirituais de resistência até então desconhecidas, pelo poder do pensamento e da vontade regidos pela Lei de Sintonia. E, lembrando Allan Kardec (O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XXVII, 11: “Pela prece, o homem chama para si o concurso dos bons Espíritos, que vêm sustentá-lo nas suas boas resoluções, e inspirar-lhe bons pensamentos: adquire, assim, a força moral necessária para vencer as dificuldades e reentrar no caminho reto se dele se afastou, como afastar de si os males que atrai por sua própria falta...”

Deus auxilia, portanto, toda criatura que deseja melhorar-se resistindo às próprias tentações, por Leis claramente explicadas pela Doutrina Espírita. E a voz de Jesus, o Mestre por excelência, ecoa exortando-nos pelos séculos sem fim: “Vigiai e orai...”