União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Caso de morte

Cornélio Pires

A morte que vem à vida
Na força do Eterno Bem
É visita inesperada
Que não faz mal a ninguém.

Na criatura cansada
De doença ou provação,
Ela aparece na estrada
Por doce libertação.

Mas a morte provocada,
Por mais que a luta nos doa,
É fruto amargo no tempo
Que estraga qualquer pessoa.

Quem pede para morrer
Sem calma e fé, a contento,
Na hora solicitada
Encontra arrependimento.

Nesse passo, meus amigos,
Vou contar-vos, tal e qual,
Um caso que aconteceu,
Na Fazenda do Brejal.

Nhá Quirina casada com Nhô João
Pedia, ao Céu, em prece repetida:
- "Quero a morte, meu Deus!... quero outra vida...
Este mundo é só fel e confusão."

Tanto rogou, clamando na oração,
Que tombou de uma febre, em recaída,
E, certa noite, a morte, de corrida,
Veio ao quarto buscá-la, de arrastão...

Ela acordou aflita em tosse brava,
O esposo, junto dela, ressonava,
Enquanto viu a morte, olhando os dois...

Nhá Quirina encolheu-se num gemido
E resmungou, no canto do marido:
- "Leva agora Nhô João, que eu vou depois!..." 

Psicografia Chico Xavier - Livro: Poetas Redivivos