União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Pro.Raul Teixeira fala de suas reencarnações na Itália e que estudou física inspirado no espiritismo

 

 

Revista "CHI ", MILANO, ITÁLIA, 9 DE NOVEMBRO DE 2005. 

Pergunta: A primeira coisa que me chamou a atenção lendo a sua
biografia, é que o Sr. é médium, mas é também um Físico. Como
coincidem estes dois fatos? 

Resposta: O fato é que não existem diferenças essenciais. As leis de Deus
si dividem em leis que regem o mundo material, e leis que regem o mundo da alma. O que ocorre é
que os cientistas pelas brigas históricas com a Igreja, resolveram fazer o divórcio. E' uma velha
pendência histórica entre cientistas e a Igreja romana, e a partir desta tendência, se passou a imaginar
que não exista alguma vinculação entre as coisas da ciência e as coisas da fé. 

Acontece que tudo
existe para fazer esta junção. Os fatos ligando Galileu Galilei e a Igreja Católica; Giordano Bruno, e a Igreja Católica; ao largo do tempo foram fazendo com que os cientistas tivessem uma certa rejeição
às coisas religiosas que expressassem muito fanatismo, muita intolerância com as pesquisas do
pensamento científico. 

Não existe por isso nenhum problema, no fato de eu estudar física e entender as leis de Deus, das
quais a física faz parte. O que me levou a estudar Física foi o estudo da Doutrina Espírita e não o
contrário. 

P: O Sr. já era médium antes de começar a estudar Física, era médium desde jovem?


R: Sim.


P: O Sr. encontrou alguma dificuldade na sua carreira universitária pelo fato de viver nesta dualidade,
ou todo o mundo acadêmico brasileiro pensa da mesma maneira?



R: Existe no mundo acadêmico do Brasil cientistas que são espíritas, e cientistas que não são.
Na Universidade em que eu trabalho há diversos físicos, pesquisadores, que estudam o Espiritismo.
Se nós estamos falando em Universidade, não há porque haver preconceito. Seria um paradoxo uma
Universidade que só trata de determinada coisa.



P: Quando o Sr. percebeu ser médium, de haver a faculdade mediúnica?



R: Desde criança eu via os seres espirituais na minha casa junto à minha mãe, que também era médium.
Eu não entendia o que estava se passando com aquelas pessoas que passavam através das paredes.
Na medida em que eu fui me desenvolvendo, fui me dando conta de que não eram as mesmas
pessoas com as quais eu convivia, e minha mãe ia me orientando para o fato que eram amigos espirituais.


Seres espirituais. Quando me tornei consciente de mim mesmo, eu já vivia no contato com
os espíritos havia muito tempo, desde muito criança.


P: Porque o Sr. estudou Física, foram os Espíritos a endereçá-lo neste tipo de estudo, ou poderia
ter sido médico ou outro profissional?


R: Não. Os fenômenos que o Espiritismo aborda, os fenômenos dos quais o Espiritismo trata nos
levam muito para esta área da física, das ciências exatas, das ciências naturais, e eu fui procurando a
Física como elemento de resposta.


P: O Sr. é autor de muitos livros que escreveu em transe. Como acontece a escrita destes livros?


R: Acontece de duas maneiras: comumente entro em um estado de transe, como se eu adormecesse
e os Espíritos escrevem. Quando eu volto a minha consciência comum, eu tenho as páginas escritas,
com os conteúdos dos livros.

Há outras situações em que eu ouço os textos dentro da mente,
como se uma segunda pessoa estivesse me falando. Sem cair em estado de transe porque eu ouço
dentro da minha cabeça, como se fosse um telefone dentro da mente e vou escrevendo. Estou conversando aqui com você e "ouvindo" o que está acontecendo lá dentro. Para muitos psiquiatras seria
esquizofrenia.


P: São sempre os mesmos Espíritos que ditam estes livros?


R: São vários Espíritos.


P: Quem é o Espírito Camilo?


R: Camilo é um pseudônimo de uma criatura cuja última passagem pela Terra se deu aqui na Europa,
na França. Mas ele se apresenta como em uma existência que viveu aqui na Itália ao tempo de
Francesco Bernardone e de São Francisco, e foi assim que ele se apresentou a mim pela
primeira vez, como um sacerdote, um padre franciscano. Quando trata de tema relacionado com a
fé, com o Cristo, ele se apresenta assim, como se fosse para me dizer que ele está evocando um conhecimento
ou uma experiência daquela época. Quando trata de temas comuns, temas de filosofia,
temas de ciência, se mostra como na existência francesa.


P: Qual a mensagem comum em todos os livros?


R: São mensagens de variados tipos. Sobre a dor humana, sobre a morte, sobre a vida familiar, sobre
a relação conosco mesmos, a nossa vida íntima, a nossa vida interior.
Comumente sobre os problemas
do mundo ajudando-nos a entender os problemas a nossa volta, para não nos revoltarmos,
para não nos perturbarmos, para entender que este é um processo que tende a se modificar até que
as coisas se estabilizem.


P: E' uma mensagem de esperança.


R: Sim, sempre de esperança e de valorização da criatura humana.


P: O Sr. viaja continuamente. Segundo o seu parecer qual é o país que mais aceita este tipo de comunicação?


R: No mundo, o Brasil.


P: Então um país que possa ser entre alguns anos similar ao Brasil, como consciência?


R: Existem vários países com esta característica de aceitar bem estes conteúdos, porque isso depende
da formação cultural do país. Os países de características espiritualistas, que tem uma tradição
espiritualista católica, evangélica, africanista tem mais facilidade para ir aceitando os fenômenos,
que não são coisas novas, e nem são fabricação do Espiritismo, são fenômenos que existem desde
todos os tempos, tratados pela Bíblia, tratado pelos Veda, na Bhagavad-Gita na Índia.


São fenômenos de todos os tempos e as pessoas cultas não tem dificuldade de admiti-los, porque eles estão nos
escritos de todos os povos.
As pessoas mais populares e de pouca cultura nesse sentido, reagem
mais contra, porque elas acham que é uma criação do Espiritismo, quando não o é. O Espiritismo é
que está dando destaque a isso, mas são coisas da humanidade, desde muito tempo.


P: E' por esta razão que no Brasil existem tantos médiuns?


R: A formação brasileira, a formação cultural, é originalmente de índios, que eram espiritualistas,
cultuavam seus Deuses; depois os africanos que foram levados para lá como escravos, e eram espiritualistas,
cultuavam seus Deuses; o Brasil foi descoberto por portugueses, que eram católicos, que
eram espiritualistas; depois chegaram os espanhóis, que eram católicos, que eram espiritualistas.
Então o Brasil tem todo um campo cultural que permite esta facilidade em aceitar estas coisas.


P: Parece-me que o Sr. teve uma reencarnação italiana?


R: Mais de uma. Desde criança me recordava de haver vivido em Roma e em Firenze. Em Roma me
>recordava de tempos antes do Cristo porque eu me via como gladiador, vestido com as roupas da
época; em Firenze ao longo da idade média, pelos trajes da época, pela paisagem eu identifico claramente que eram situações da idade média. Pessoalmente tenho um carinho muito grande com a
Itália, porque estas lembranças italianas sempre me trazem muita alegria interior, e isto me diz que
estas experiências vividas aqui me acrescentaram muito, foram muito úteis na minha vida como um
todo. Tenho este vínculo e pelas coisas do destino, o meu avô paterno era italiano e por isso esses
olhos verdes, sou neto de italiano.


P: De qual região?


R: Não sei, meu avô faleceu quando meu pai tinha 10 meses. Não ficamos sabendo de nada sobre
ele, foi o início do século passado.


P: E sobre a sua Obra de Assistência?


R: Temos no Brasil uma obra que cuida da família, e para cuidar da família nós começamos pela
criança, e trabalhamos a criança com escolaridade, com o trabalho social da medicina, da psicologia,
da odontologia, da alimentação e este trabalho traz a mim e aos meus companheiros que colaboram
nele muita felicidade por estarmos colaborando para diminuir os problemas da nossa sociedade.
Temos consciência que estes trabalhos deveriam ser feitos pelos governantes, mas enquanto os governantes
não o fazem, nós não podemos ver as pessoas sofrendo sem que ninguém se levante para
colaborar.


Fazemos o que nos é possível, fazemos o que podemos, sabendo que não resolveremos o
problema do mundo, mas daremos uma contribuição para diminuirmos os problemas do mundo.


JORNALISTA, ROBERTO ALLEGRI - ITÁLIA, REVISTA "CHI"


Popularmente conhecida na Itália, a revista
"CHI" (Quem) é algo correspondente
no Brasil às revistas "Caras" e à homônima
"Quem". É uma das mais vendidas e há alguns
anos mantém uma página dedicada
ao "mistério".