União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

CHICO XAVIER – ENTREVISTA – TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS

 

 

 

 

 

P- SERIA ESTA, PORTANTO, MESTRE CHICO XAVIER, A OPINIÃO DOS AMIGOS DA VIDA ESPIRITUAL ACERCA DOS TRANSPLANTES DOS ÓRGÃOS?

R- Justamente eles dizem que isso é um problema da ciência, muito legítimo e que assim como nós utilizamos motor de um carro com os demais implementos estragados, num carro que esteja com seus implementos perfeitos, mas com o motor inutilizado, não podemos comparar o homem a um automóvel, mas podemos adotar a símile para compreender que o transplante de órgãos é muito natural e deve ser levado adiante pelos cientistas.

 

 

P: OS ESPÍRITOS ACREDITAM QUE O TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS SEJA CONTRÁRIO ÀS LEIS NATURAIS?

R: Não, eles dizem que, assim como nós aproveitamos uma peça de roupa que não tem utilidade para determinado amigo, e que esse amigo, considerando a nossa penúria material nos cede essa peça de roupa; e é muito natural que ao nos desvencilhar do corpo físico venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles e que possam utilizá-los com segurança e proveito.

 

P: MESTRE, DIZEM OS ESPÍRITOS QUE O CORPO FÍSICO É UMA DUPLICATA DO CORPO ESPIRITUAL. NO TRANSPLANTE DO CORAÇÃO NÃO HAVERÁ UM CHOQUE ANTE A EXISTÊNCIA DO ÓRGÃO QUE PERMANECEU NO CORPO ASTRAL, AO LADO DO QUE FORA SUBSTITUÍDO?

R: Por isso mesmo é que o nosso amigo André Luiz considera a rejeição como um problema claramente compreensível, porque o coração do corpo espiritual está presente no receptor. O órgão astral, vamos dizer assim, provoca os elementos da defensiva do corpo, que os recursos imunológicos em futuro próximo naturalmente vão sustar ou coibir.

 

P: QUE PENSAR DA SITUAÇÃO DO DOADOR, MESTRE CHICO, DOS ÓRGÃOS NO MOMENTO DA MORTE, UMA VEZ CONSIDERANDO QUE O SEU INSTRUMENTO FÍSICO SE VIU DESPOJADO DE PARTE IMPORTANTE?

R: O mesmo que sucede com uma criatura que cede os seus recursos orgânicos à um estudo anatômico, sem qualquer repercussão no espírito que se afastou, vamos dizer, da sua cápsula material. Nosso amigo André Luiz considera que executando determinados casos por mortes em acidentes e outros casos excepcionais, em que a criatura necessita daquela provação, ou seja, aquele sofrimento intenso no momento da morte, a morte de um modo geral não traz dor alguma, porque a demasiada concentração do dióxido de carbono no organismo determina a anestesia do sistema nervoso central, diz ele. Eu estou falando como médium que ouve seus amigos espirituais, não que eu tenha competência médica para estar aqui pronunciando termos difíceis.

Mas, eles explicam que no fenômeno da concentração do gás carbônico no organismo, opera a anestesia do sistema nervoso central, provocando o fenômeno que eles chamam da "acidose". E com o ácido vem a insensibilidade, e a criatura não tem esses fenômenos de sofrimento que nós imaginamos. O doador naturalmente, não tem absolutamente sofrimento algum.

 

P: OS ESPÍRITOS, POR ACASO, MESTRE CHICO XAVIER, AUXILIAM OS DOADORES E RECEPTORES DE ÓRGÃOS, BEM ASSIM, COMO AS EQUIPES CIRÚRGICAS QUE SE EMPENHAM EM TÃO DURAS TAREFAS?

R: Auxiliam e muito. Os espíritos amigos dizem que a missão de um médico se reveste de tamanha importância que ainda mesmo o médico absolutamente materialista está amparado pelas forças do mundo superior à benefício da saúde humana.Os outros médicos que desencarnam passam a estudar medicina em outro aspecto, em aspectos mais evoluídos, no mundo espiritual, e reencarnam com determinadas tarefas. Ainda há tempos, eu ouvi o espírito de um médico amigo que eu conheci em Belo Horizonte, que era muito devotado à cancerologia. Ele me informou que, no espaço, ele está estudando cancerologia, desdobrada em outros aspectos e em outros fenômenos, e que pretende reencarnar dentro de breve tempo para estar conosco no princípio do século futuro, aperfeiçoando as técnicas e estudos da cancerologia na Terra.

 

P: QUAL A SITUAÇÃO DE UM DOADOR DE ÓRGÃOS APÓS A INTERVENÇÃO CIRÚRGICA, CHICO XAVIER, UMA VEZ CONSTATADA A SUA DESENCARNAÇÃO?

R: È uma situação pacífica, porquanto o fenômeno é igual ao daqueles amigos nossos às vezes anônimos benfeitores da humanidade, que cedem suas vísceras a uma sala de anatomia para benefício dos jovens, que amanhã serão grandes médicos, grandes cientistas.

 

 

P — PODEMOS IMAGINAR UM POSSÍVEL ENCONTRO ENTRE DOA­DOR E RECEPTOR DE ÓRGÃOS NO MUNDO ESPIRITUAL — MESTRE CHICO — COMO, POR EXEMPLO, NO CASO DO OPERÁRIO LUIZ FERREIRA BARROS E DO BOIADEIRO JOÃO FERREIRA DA CUNHA, AGORA, TAMBÉM DESENCARNA­DO?

 

R — Perfeitamente. Acre­ditamos, com segurança que os dois se encontram e devem desfrutar, entre os ami­gos espirituais, de uma posi­ção de muita simpatia, pois ambos serviram, no Brasil, para uma experiência dema­siadamente importante para a ciência do nosso país. Acre­ditamos que eles ganharam, com isso, um mundo de vi­brações simpáticas e o reco­nhecimento, que nós todos devemos a esses dois pionei­ros, porque nós não os con­sideramos como mortos, mas sim, como espíritos eternos.

 

P — OS ESPÍRITOS FALAM QUE UMA PESSOA QUE ESTEJA SO­FRENDO AGORA, ESTÁ RESGATANDO FALTAS DO PASSADO; NO CASO DE UM TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS, COMO ESTE, TERÁ OBTIDO, O ENFERMO, UM NOVO MERECIMENTO?

R — No caso do receptor, sim. Ele terá adquirido uma sobrevida, determinando mo­ratória de extraordinário va­lor para ele. O nosso amigo, que foi beneficiado em São Paulo, viveu, segundo notícias que temos, 30 dias, não sei bem. Mas, é uma sobrevida extraordinária para uma criatura que tem muitos negócios, muitos assuntos a realizar e com um mês, com vinte dias, pode solucionar enormes problemas e partir com muita serenidade, muita alegria, para o mundo espi­ritual.

 

P — E NO CASO — EU PEÇO LICENÇA PARA FAZER UM DESDOBRAMENTO DESSA PERGUNTA — DAQUELE QUE NÃO TEM MUITOS NEGÓCIOS, COMO NO CASO DE JOÃO BOIADEIRO?

R — Nós devemos conside­rar este homem como um amigo, um benfeitor da Humanidade, que serviu para nós todos, como modelo para uma experiência aproveitável para as criaturas de grandes negócios, que interferem no destino de muita gente.

P — CHICO XAVIER, NÃO SABEMOS SE ESTA PERGUNTA ESTÁ PREJUDICADA: DE MODO GERAL, QUAL SERÁ A PRIMEIRA IMPRESSÃO DA CRIATURA HUMANA, NA OCASIÃO PRECISA DA MORTE?

R — Para todos aqueles que terminaram a existência terrestre com uma consciência tranquila, limpa, conquanto os muitos erros em que todos nós incorremos: nesta existência, a impressão no outro mundo é de profunda alegria, de felicidade mesmo, no reencontro com as pessoas queridas que nos antecederam na grande transformação. Mas, quando nós malbaratamos os patrimônios da vida, quando não consideramos as nossas responsabilidades, é natural q soframos as consequências disso no mundo espiritual, antes de voltarmos, naturalmente, à Terra, em novo renascimento, para o resgate que se faz jus.

 

Publicado no Jornal Correio Fraterno - Edição 009 fevereiro / março 1969