União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Religião, moral e niilismo

 

J. Garcelan 

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O título deste artigo é para despertar os menos atentos à leitura constante dos grandes problemas da humanidade. Dirijo-me às pessoas que freqüentam os Centros Espíritas em todo o Brasil em busca de alívio para seus males e conhecimento da Doutrina Espírita. Não raro deparamo-nos com pessoas mal preparadas discorrendo sobre determinados assuntos sem ter conhecimento para tal. Não que não haja boas intenções desses nossos irmãozinhos, mas, devido a interpretações errôneas e um conhecimento limitado o “recado” e mal dado ocasionando alguns danos nefastos de colheita dolorosa para quem os pratique. Seguindo esta linha, perguntamos: É o Espiritismo Religião ou Moral?

Antes de respondermos essa questão, vamos deixar que o Dicionário Aurélio responda por nós a definição de Religião: Substantivo feminino – 1. Crença na existência de uma força ou forças sobrenaturais, considerada(s) como criadora(s) do Universo, e como tal deve(m) ser adorada e obedecida(s). 2. A manifestação de tal crença por meio de doutrina e ritual próprios, que envolvem, em geral, preceitos éticos. 3. Restr. Virtude do homem que presta a Deus o culto que lhe é devido.

Deste ponto em diante pulamos para o item número 8: Qualquer filiação a um sistema específico ou crença que envolve uma posição filosófica, ética, metafísica, etc.

Quem pesquisar a história, verificará que a Religião é quase tão antiga quanto ao homem. É evidente que há todo um estudo sobre o assunto. E não é difícil pesquisa-lo, basta ir a uma biblioteca ou a um computador e conectar a Internet que ali encontrará respostas a todas as indagações sobre o assunto. Na sua infância. A humanidade elegia fatos que julgavam sobrenaturais, ou seja, o raio, a chuva, o fogo, a água, animais, etc. e faziam deles suas divindades. Mais tarde, começou construir totens representativos desses componentes da natureza e os adoravam fazendo inclusive sacrifícios para conseguirem graças. A História prossegue seu rumo. A civilização adianta-se e grandes religiões surgem na antiguidade. Os Hindus, Os Egípcios, Os hebreus com sua religião monoteísta, ou seja, crença que só admite um deus.



Filosofia permanece

Antes de Cristo, cerca de 560 anos, nasceu Buda, que deixou uma filosofia que perdura até os dias de hoje (e para quem não sabe, o budismo é reeencarnacionista) e é praticada como Religião em todo o mundo, principalmente no Oriente. As religiões hinduístas também acreditam na vida após a morte. É evidente que estas religiões têm uma visão filosófica diferentes uma das outras, mas contam-se as centenas as seitas na Índia, muitas delas com versões diversas do que seria a vida além-túmulo.

Os Gregos, os Romanos, com seus deuses que se mistura toda uma mitologia, mas que levavam a sério suas crenças como Religião.

Entre o povo Hebreu, havia aqueles que acreditavam na reencarnação, mas de uma forma ou de outra todas as religiões mencionadas eram ou são espiritualistas, ou seja, acreditavam ou acreditam que de certa forma há a sobrevivência do espírito.

Com o nascimento de Jesus, e tudo o que se passou até sua morte, principalmente nos seus últimos três anos de vida (pregação, prisão e morte) vamos verificar que os conceitos de Moral começariam a mudar na humanidade. O Mestre pregava amor, tolerância, caridade, esperança, perdão, etc. Naquela época quando a guerras de conquista, a escravidão, o ódio, a intolerância, o olho por olho, a miséria, o preconceito era a constante dos povos e não se poderia tolerar que alguém falasse alguma coisa que quebrasse o “status quo” então existente no dia-a-dia.

Perguntamos então: teria Jesus uma Religião? Porque Jesus nasceu entre o povo judaico? As respostas são simples. José e Maria eram Judeus e como tal eram religiosos e obedeciam as leis judaicas ou mosaicas. Era o único povo que se conhecia monoteísta, que realmente acreditavam e acreditam em um só Deus. Jesus passou pelo ritual da circuncisão e freqüentava o templo judaico religiosamente. Há até uma passagem (verdadeira ou não) que Jesus aos 12 anos discutiu longo tempo com os tais doutores da lei mosaica e se saiu muito bem, vindo desse episódio provavelmente os primeiros resquícios de ódio contra o homem que trazia um novo código de moral (A Lei do Amor). Não que os Judeus não tivessem um Código de Moral (O Torah) cujo um dos itens trata exatamente das “regras determinadas por Deus para um Santo viver”. Mas Jesus trazia em sua “bagagem” as leis divinas imutáveis que sempre existiram para a evolução da humanidade onde quer que ela esteja. E isso quer dizer para as pessoas não terem dúvidas se devem fazer dessa Moral uma Religião. As pessoas normalmente costumam falar Jesus não deixou nenhuma Religião. A Religião já existia, ou seja, o culto a Divindade DEUS.


Moral 

Voltamos aqui a consultar o Aurélio: Moral – Substantivo feminino – 1. Filosofia; Conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa determinada. 2. Conclusão moral que se tira de uma obra, de um fato, etc.

Substantivo masculino

3. O conjunto das nossas faculdades morais; brio, vergonha.

4. O que há de moralidade em qualquer coisa.

5. Relativo à moral

6. Que tem bons costumes

7. Relativo ao domínio espiritual (em oposição a físico ou material).

Pois bem, verificamos então que, Jesus ao divulgar as Leis de Deus para a evolução do homem-espírito o fez sabendo que a semente levaria algum tempo para germinar. Disse algum tempo, pois sabemos que 2000 anos para a eternidade não é nada. O Cristianismo nascente sofreu horrores durante quase quatro séculos. A Religião Cristã evoluiu, foi deturpada, vilipendiada, mas sua moral foi espalhada para todos os cantos da Terra. Os valores foram mudados e até hoje há os que lutam contra a máxima “Amar o próximo como a ti mesmo” e ainda “Amar os próprios inimigos”.

Para dominar populações mentes doentias criaram doutrinas e fizeram intensa propaganda. Para fazerem lavagens cerebrais criaram até slogans como “Religião é o ópio do povo”.

Em contrapartida, cumpriu-se o que Jesus prometera a vinda do Espírito de Verdade e em conseqüência a Codificação do Espiritismo com o lançamento do Livro dos Espíritos em 1857. Divulgam-se então em toda a sua pujança e clareza as Leis Divinas para a evolução do homem. Doutrina que se contrapõe ao materialismo e ganância do homem. Essas Leis, que poucos entenderam quando Jesus as divulgou devido ao estágio evolutivo da humanidade de então estavam agora claras e objetivas.

Nilismo

Desta vez vamos consultar a Wikipédia, a enciclopédia mais completa do mundo e que só pode ser acessada pela Internet: O niilismo (ou nihilismo), do latim “o nada”, é uma corrente filosófica que a princípio, concebe a existência humana como desprovida de qualquer sentido, tendo sido popularizada primeiramente na Rússia do século XIX, como reação de alguns intelectuais russos, mormente socialistas e anarquistas à lentidão dos czares em promover as desejadas reformas democráticas.

A origem do niilismo vem de longe, mas vamos nos ater a Friedrich Nietzsche que se opunha frontalmente as religiões e principalmente ao cristianismo entre outras religiões, como o budismo e autores Socráticos. Nietzsche nega que a vida deva ser regida por qualquer tipo de padrão moral tendo em vista um mundo superior, pois isso faz com que o homem minta para si próprio, se falsifique, enquanto vive a vida fixado numa mentira. Assim no niilismo não se promove à criação de qualquer tipo de valores, já que ela é considerada uma atitude negativa.

O assunto é extenso e quem se interessar por ele, é só buscar as fontes abundantes nas enciclopédias, internet e os livros do filosofo mencionado.

Para terminar, vamos transcrever aqui, o último parágrafo do Prefácio assinado por Emmanuel no livro Religião dos Espíritos, psicografado por Francisco Cândido Xavier. A Edição é de 1960 – FEB.

“... E aguardando por essas contribuições, na sementeira da fé viva, cremos poder afirmar, com o título deste volume, que o primeiro livro da Codificação Kardequiana é manancial tão rico de valores morais para o caminho humano que bem pode ser considerado não apenas como revelação da Esfera Superior, mas igualmente como primeiro marco da RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS, em bases de sabedoria e amor, a refletir o Evangelho, sob a inspiração de Nosso Senhor Jesus-Cristo”. 

Matéria publicada na Revista Internacional de Espiritismo número 03-abril-2006-Ano LXXXI. – páginas 151-152.