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A nova geração (jornalista e escritora cita educadores espíritas)

 

 

Dizia o psicólogo José Ângelo Gaiarsa, dias atrás, no programa do Jô Soares que o sistema educacional está completamente falido. 

A maioria dos telespectadores deve ter pensado: “descobriu a pólvora”. No entanto, ele insistia. Do alto dos seus 80 anos, trazia à tona mais uma das suas polêmicas, dizendo que a educação nada mudou desde os seus tempos de criança.

Essas reflexões me levaram ao educador José Pacheco, fundador da Escola da Ponte, de Portugal, que consegue as melhores avaliações do país, sem dar aulas e sem fazer provas.

Como já faziam Johann Heinrich Pestalozzi e Allan Kardec, há quase 200 anos.

Pois Pacheco enfatizou, em entrevista na Folha de São Paulo, a condição do Brasil como a grande referência para a educação dos novos tempos.

Isso porque temos a herança deixada por grandes educadores e pelo maior deles, Eurípedes Barsanulfo. Pacheco fala do criador do Colégio Allan Kardec, em Sacramento – MG, como o autor do projeto educacional mais avançado do Século XX, no mundo. Só que 99% dos educadores brasileiros nunca ouviram falar dele.

Barsanulfo dava aulas para meninos e meninas juntos, quando isso ainda não existia no país. Tinha aulas de astronomia e de pesquisas da natureza.

Não tinha série, nem turmas, não tinha aulas e nem provas. E seus alunos foram a elite de seu tempo, no começo do século passado.

Como Gaiarsa, Pacheco diz textualmente que “dar aula não serve para nada. É necessário outro tipo de trabalho, que requer muito estudo, muito tempo e muita reflexão."

Podemos interpretar isso como a necessidade de substituição dos modelos antigos, sempre rejeitados, que finalmente começam ser revistos.

Para isso também contribui o nível cada vez mais incontrolável de violência nas escolas, forçando um exercício permanente de reflexões sobre as causas e o que pode ser feito para inverter a situação, sem recorrer aos velhos métodos repressivos e condicionantes.

Não é difícil perceber que a linguagem da disciplina já não funciona. O que prevalece são os interesses individuais dos alunos, cada um com suas bagagens de conteúdos, informações e conhecimentos do mundo, das comunidades virtuais e das fontes de pesquisas da internet que os tornam verdadeiros especialistas, antes mesmo de entrar na escola.

Essa nova geração já nasce se informando e juntando dados para formar conhecimentos com poucos anos de idade. Não suportam mais os conteúdos padronizados, pois quase sempre já estão focados em áreas de interesse que podem transformá-los em grandes homens.

As escolas têm que entender que cada aluno é diferente do outro porque somam conhecimentos diferentes e isso vai se acentuar cada vez mais na medida em que a web oferecer mais conteúdos específicos com os quais cada um passa a conviver. É por isso que para os mais velhos pode parecer desobediência ou falta de respeito o que para eles não passa de uma forma de desprezo pelo que é imposto.

Nesse sentido, o caos provocado pela tecnologia acaba sendo o grande agente transformador para o terceiro milênio. É assim que estamos entrando na nova era.

As mudanças, no entanto, não são fáceis, exigem muito esforço, muito estudo, muito envolvimento e vontade de fazer acontecer.

Uma pessoa só não faz nada, mas pode motivar outras com os mesmos interesses e a partir daí começar as grandes transformações nas escolas, exigindo também as devidas adaptações oficiais.

A princípio, parece ser muito difícil para pais e professores conviverem com essa nova situação, mas logo será um processo maravilhoso de encaminhamento das crianças e jovens para a vida, de forma competente e responsável.

Eugenia Maria é professora, jornalista e autora dos livros Crianças Esquecidas e Pedagogia das Diferenças. Descreve esta Face Espírita para publicação exclusiva na Folha da Região.

FONTE: Folha da Região de Araçatuba - http://www.folhadaregiao.com.br/