União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Sobre flagelos destruidores, justiça e castigo

 

 

“Para conseguir a melhora da humanidade, não podia Deus empregar outros meios que não os flagelos destruidores?”. 

ALLAN KARDEC – O Livro dos Espíritos. Questão 738

Era uma manhã fria, em novembro de 1868, quando os soldados do 7º Corpo de Cavalaria do Exército Americano atacaram uma aldeia de índios Cheyennes, massacrando, pelo fio da espada e tiros, cerca de 200 famílias, maioria de mulheres, crianças e velhos.

Era a manhã do dia 06 de agosto de 1945. De repente, um enorme clarão seguido de um forte e destruidor deslocamento de ar foi o sinal de que o homem estava transpondo uma nova era em sua história O clarão era a explosão da bomba atômica, o local era Hiroshima, no Japão e, naquela manhã, foram ceifadas 140.000 vidas humanas, sem considerar as que se perderam ao longo dos anos, sob o efeito da radiação atômica.

Três dias depois, nova explosão em Nagasaki, destruindo, num primeiro momento, cerca de 75.000 vidas e, ao longo dos anos, perto de 150.000.

Duas bombas atômicas haviam selado o destino de uma guerra que, em toda a sua extensão, matou 50 milhões de pessoas, mutilando outros 28 milhões.

Entre 1861 e 1865, aconteceu a mais sangrenta guerra americana, fratricida, com cerca de 620.000 mortos nos dois lados... O ódio gerado por este confronto tem conseqüências até os nossos dias, num processo de dolorosos desencontros sociais, políticos e religiosos.

Na raiz do problema da Guerra Civil Americana, entre outros fatos, estava uma nódoa terrível: A Escravidão, existente desde os tempos coloniais, principalmente no sul, com um documentado histórico de crueldades inomináveis. A esse respeito, o Brasil também tem um compromisso coletivo a cumprir.

Herdeiro do orgulho imperialista de Roma, cuja águia abriu suas asas por todo o mundo conhecido de então, o complexo tecido social americano ainda expõe seu orgulho embaixo das asas de seu “coincidente” símbolo: a águia; e está presente nos quatro cantos do mundo, com seu poderio.

Não estou fazendo um manifesto contra os Estados Unidos.

Apenas desejo estabelecer alguns fatos, que fazem parte da história americana, e seu envolvimento com a Lei de Causa e Efeito, explicada por Kardec. É claro que cada país tem o seu compromisso coletivo a cumprir e o erro não é atributo americano.

No dia 18 de abril de 1906, um forte terremoto na região de São Francisco, na Califórnia, provocou um incêndio que ficou descontrolado e durou cerca de 4 dias. O pânico, o fogo, os danos do terremoto, a desorganização, a fragilidade da maioria das casas de madeira, formaram um elenco de eventos que trouxe milhares de mortos, saques, doenças e o caos urbano.

Em 11 de setembro de 2001, as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque , foram atingidas e destruídas, causando dor, 3000 mortos e um impacto sem precedentes na população americana, pelo inusitado e principalmente, pela violência.

No dia 29 de agosto de 2005, o furacão Katrina deixou um rastro de destruição pela Flórida e seguiu seu rumo em direção ao Golfo do México, aumentando sua velocidade, atingindo os estados da Louisiana e Mississipi com ventos de 280 km/h , arrasando Nova Orleans, desabrigando 270.000 pessoas e provocando a morte de centenas de pessoas, além de
saques, desencontros assistenciais e caos.

Alguns dias mais tarde, novo furacão, o Rita, levou quase igual tragédia ao Texas, provocando desabastecimento de gasolina e muito medo à população.

Allan Kardec, no Capítulo VI – Parte Terceira – de O Livro dos Espíritos , falando sobre a Lei de Destruição, é de cristalina ponderação sobre a questão sempre atual dos flagelos por que passamos...

A partir da Questão 737, o diálogo do Codificador com os Espíritos é muito elucidativo, considerando o estilo franco, direto e objetivo com que a questão dos flagelos destruidores é tratada. Ali aprendemos que Deus não castiga. Se assim o fosse, seria um contra-senso. O que podemos sentir é que o homem, ao exercer o seu livre-arbítrio, assume responsabilidades e se estas contrariam a lei, então essa lei, dentro do planejamento espiritual, fará os ajustes necessários, em busca do equilíbrio, quer seja de um individuo ou de uma coletividade e, nesse caso, há uma responsabilidade comum a um grupo de indivíduos (questão 741).

Conforme já escrevi, em outra oportunidade, todo aquele que procurar entender os flagelos, pela ótica da razão, irá perceber que por trás das dolorosas cenas de destruição e dor, floresce o incentivo à solidariedade, ao respeito pelo sofrimento alheio, à vontade de ajudar.
Nada é ocasional ou fortuito na dimensão da razão, a Lei de Causa e Efeito, inexorável (e não injusta) pela sua natureza perfeita, sempre oferece, no tempo certo, as oportunidades de reconciliação com a Justiça Divina.

Ao avaliarmos o impacto dessas tragédias, não podemos deixar de considerar fatores como as experiências passadas, os compromissos assumidos, as escolhas equivocadas, as ações não edificantes... É preciso que se entenda que são provas redentoras. Elas vêm restabelecer a justiça na vida das pessoas. O Espiritismo mostra que existe uma explicação, sempre, para as provações humanas.

A reencarnação, o livre-arbítrio, o amor, o perdão, a regeneração... Elementos fundamentais na promoção que a Caridade Divina faz entre vitimas e algozes, ajustando, conciliando e anulando ódios. Se assim for entendido, então vem a esperança de que sempre há uma chance.

Os flagelos destruidores mostram que não existe impunidade nas contas da Lei Divina. Nessa linha é que os Espíritos respondem a Kardec, na questão 728 de O Livro dos Espíritos: “ É preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque o que chamais destruição, não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos.

Parodiando Martin Luther King quando fez uma referência ao ato de exemplificar, posso dizer que no tocante às traumáticas experiências por que o homem muitas vezes passa, o Espiritismo não oferece a melhor explicação...Oferece a única.

Assaruhy Franco de Moraes