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Como Identificar uma boa Casa Espírita.
Como identificar a boa casa espírita
Introdução ao conhecimento básico
Pode parecer um contra-senso, alguém dizer a uma pessoa que ela precisa verificar se a casa espírita que frequenta é digna de credibilidade. Mas, não é. A experiência demonstra que existem muitos problemas nos centros espíritas, que os frequentadores precisam identificar com precisão para não serem prejudicados por eles.
O Movimento Espírita Brasileiro é um organismo coletivo que apresenta inúmeros desvios doutrinários. E, dentre os centros espíritas que o compõe, não faltam aqueles que de "kardecista" só tem o nome. Falam em nome do codificador do Espiritismo, Allan Kardec, mas desconhecem os princípios fundamentais que norteiam sua obra.
Por um série de motivos, os centros espíritas no Brasil se formam ao sabor das idéias de seus fundadores, que buscam interpretar o Espiritismo sob sua ótica. E as interpretações variam ao infinito. Não existem diretrizes claras a respeito de como os dirigentes e trabalhadores espíritas devem agir no dia-a-dia das casas. Cada um faz o que bem entende. E, numa situação dessas, é evidente que se encontrará em cada lugar, um modelo diferenciado sobre a interpretação doutrinária, métodos de tratamento, de orientações, ações sociais etc. O resultado é a desorganização e a irracionalidade permeando as práticas.
Os organismos federativos, sob a égide da Federação Espírita Brasileira - FEB, foram criados, em tese, para resolver esses problemas. Mas, nem sempre conseguiram cumprir esse papel. Em alguns Estados do país as federações espíritas são atuantes, interagem com os centros. Em outros, tornou-se objeto de ocupação por grupos de indivíduos de mentalidade retrógrada, cuja maior preocupação é a de manterem-se em seus cargos diretivos de poder.
O espírita que pretende dedicar-se verdadeiramente à sua convicção, vivenciando os ensinos de Jesus e Allan Kardec, precisa cuidar-se para não se envolver com pessoas ou grupos assistidos por Espíritos pseudo-sábios e galhofeiros. O Espiritismo é uma doutrina libertadora e faz um bem enorme a quem se coloca sob sua orientação. Porém, quando mal praticado, é fonte de intensas perturbações do organismo psíquico, de fanatismos e idolatrias. Abaixo, estaremos citando alguns cuidados que se deve ter para identificar uma casa espírita séria ou grupo que se possa frequentar com segurança.
A palavra "Espiritismo"
A palavra 'Espiritismo' foi criada por Allan Kardec para designar a Doutrina Espírita. No meio religioso convencional, os pastores e padres colocam como adeptos do 'Espiritismo', as pessoas que 'mexem' com os Espíritos. Para eles os seguidores do Candomblé, da Umbanda, os ledores de sorte, de tarô etc, são todos praticantes do Espiritismo. Isso, evidentemente, não é verdade. Nós, espíritas, temos o dever de procurar esclarecer esse ponto de vista, sempre que a confusão se estabelecer. Mas, como o termo já está introjetado na linguagem popular, é aconselhável que se diga 'Doutrina Espírita' em lugar de 'Espiritismo', quando a ocasião exigir. É necessário ter em mente os princípios básicos doutrinários para que se tenha condições de prestar esclarecimentos. São eles: a crença em Deus como princípio criativo, a existência do Espírito e sua imortalidade, a reencarnação, a lei de causa e efeito, a influência do mundo invisível sobre o visível, a comunicação entre esses dois mundos e a evolução moral e intelectual progressivas.
Desenvolver Mediunidade
É muito comum a uma pessoa que chega na casa espírita com problemas pessoais, receber a orientação de um dirigente ou médium, dizendo que ela precisa 'desenvolver' a mediunidade. Afirmam, que a faculdade mediúnica é a fonte das suas dificuldades e que se não praticá-la jamais encontrará seu equilíbrio. Essa idéia popularesca, nada tem a ver com as orientações de Allan Kardec. Nasceu nos terreiros primitivos de mediunismo, e veio parar nos centros ou grupos espíritas por falta de orientação doutrinária adequada.
Todos os seres vivos têm a mediunidade natural, sensibilidade necessária ao processo evolutivo dos Espíritos, mas nem sempre necessitam desenvolver seus dons espirituais. Só o devem fazer, aquelas pessoas que são dotadas de mediunidade ostensiva, ou seja, portadoras de mediunato.
Ninguém tem o poder de saber se alguém é médium ostensivo ou não. A única forma de se reconhecer o dom da mediunidade é fazendo experiências. E, de preferência, numa casa espírita bem orientada. Primeiro, caso esteja perturbado, o interessado passará por um tratamento espiritual. Depois, receberá instruções teóricas básicas, frequentando os cursos doutrinários. Mais tarde, quando já estiver familiarizado com o Espiritismo e com o grupo no qual se integrou, visitará as sessões práticas para experimentar. Mas, fará isso por vontade própria. Ninguém é obrigado a desenvolver a mediunidade. Quem o faz por 'obrigação' já estabelece um entrave para produzir no campo do Bem.
A maioria das pessoas que chegam na casa espírita 'sentindo coisas', está sendo vítima de obsessões e desajustes pessoais. Primeiro, precisa de um tratamento sério, destinado a restabelecer seu equilíbrio psíquico e emocional. Depois, caso queira, poderá ingressar nas fileiras de trabalho com Jesus, candidatando-se ao quadro de trabalhadores da sociedade espírita. Portanto, uma casa espírita que coloca pessoas recém-chegadas à casa para participar das reuniões de intercâmbio espiritual por ser classificada como médium, está sem a segura orientação kardequiana.
Espiritismo e Umbanda
É muito comum se encontrar casas com denominação de "espíritas" que dizem trabalhar com o Espiritismo e com a Umbanda ao mesmo tempo. É importante definirmos o que é uma coisa e outra. Espiritismo é a doutrina que nos foi deixada por Allan Kardec, como a mensagem do Consolador Prometido. A Umbanda é um culto com identidade própria e suas práticas, embora tenha alguns pontos em comum com o Espiritismo, de modo geral são antagônicas. Portanto, não se pode ser umbandista e espírita ao mesmo tempo.
A Umbanda tem público e finalidade apropriados. Suas práticas são voltadas a rituais e procedimentos que nada tem a ver com a Doutrina Espírita. Mais grave ainda são as casas que em alguns dias trabalham com o Espiritismo e em outros com a Umbanda. Não se deve servir a dois Senhores. Portanto, o frequentador deve escolher seus caminhos. Não é aconselhável inclusive que se trabalhe em duas casas espíritas simultaneamente. Imagine a confusão espiritual que se forma quando se participa de dois cultos que não possuem afinidade entre si. Isso tem sido fonte de desequilíbrio para a vida de pessoas pouco esclarecidas quanto a esse aspecto.
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O Salão de Palestras
Para se conhecer uma casa espírita idônea é importante que se preste atenção na sala de palestras. Se o centro espírita que você está visitando tem o hábito de colocar quadros ou imagens no salão destinados às exposições, possivelmente o ambiente é carente de orientação doutrinária correta. Certamente é costume que vem de outras crenças e se está apenas substituindo as imagens por quadros de personalidades ou Espíritos que são admirados pelo grupo.
Instituições que fecham suas portas nas sessões públicas, que promovem manifestações de Espíritos com público presente, que desenvolvem trabalhos públicos de 'desenvolvimento das potencialidades mediúnicas', que exigem que todos se levantem na hora da abertura são casas assistidas por Espíritos pouco adiantados. Nesses ambientes, dificilmente se poderá conseguir ajuda no tratamento de obsessões graves e mesmo orientações suficientes para se corrigir posturas morais inadequadas.
A Sala de Passes
Para identificar uma boa casa espírita, também é importante prestar atenção naquilo que se passa dentro da sala de passes. Primeiro, esteja atento nas atitudes dos passistas. Se o médium que está transmitindo o passe estiver "incorporado" por um Espírito, certamente não possui orientação doutrinária adequada. O trabalhador espírita não precisa desse recurso para dar passes. Seu guia espiritual pode assisti-lo, sem que seja necessário manifestar-se ostensivamente. Em casa espírita com boa instrução kardequiana, não se vê esse tipo de procedimento.
Outro costume estranho ao trabalho espírita, é o médium dar conselhos às pessoas que estão recebendo passes, quando supostamente vêem ou sentem esta ou aquela coisa. Isso cria uma aura de importância pessoal em torno do passista, inadequada ao equilíbrio do trabalho com Jesus. A sala de passes não é o ambiente apropriado para se ministrar orientações individuais.
Os ensinamentos são dados principalmente na sala de palestras e as conversas particulares devem acontecer nas salas de entrevistas. A sala de passes é um lugar com um papel fundamental: oferecer energias que vão restabelecer o equilíbrio fluídico dos enfermos e necessitados.
Para ministrar o passe, o médium não necessita tocar nas pessoas que vão receber as energias. Também não é necessário que o médium estale os dedos, que fungue como se estivesse tendo uma síncope respiratória ou que faça movimentos exagerados com o corpo para a magnetização. O passe deve ser administrado de forma simples, com preces e imposição de mãos, deixando de lado as técnicas mirabolantes que não possuam fundamentação doutrinária.
Os chamados "passes anímicos" também são uma incoerência, uma vez que na casa espírita, mormente neste trabalho de fluidoterapia, estamos sempre secundados pelos Espíritos amigos. Os passes com cores, encontrados em muitas casas espíritas, também devem ser vistos com cautela, afinal a cromoterapia nada tem a ver com a Doutrina Espírita.
É bom observar se os passistas têm roupas especiais, como vestir-se de branco por exemplo, ou se ficam descalços para trabalhar. Isso é desnecessário. Veja se é mantida uma certa disciplina na sala ou se existem os tais "passistas especiais" cujos passes duram uma eternidade, atraindo filas quilométricas para eles. Ambientes onde se estudam as obras do Codificador, não se coadunam com tais coisas.
A Reunião Pública
Um ponto muito importante a ser observado no reconhecimento de uma boa casa espírita é a forma como é estruturado o trabalho de esclarecimento ao público. Certamente que todos são livres para desenvolver essa tarefa da forma que acharem mais conveniente, mas deixaremos aqui nossa opinião, baseada no objetivo maior do centro espírita que é fazer despertar o homem novo.
A reunião de esclarecimento destinada ao público em geral que frequenta a casa espírita, deve ter uma característica diferente das que são realizadas para estudos com os trabalhadores. Isto nos parece claro, uma vez que a população destes dois grupos é completamente diferente. Enquanto estes últimos já estão em busca do entendimento da Doutrina Espírita propriamente dita, através do estudo, os primeiros necessitam de conforto e esclarecimento básico das coisas espirituais, com raras exceções.
A maioria das pessoas que procuram o centro espírita, o faz porque é portadora de problemas os mais diversos. Busca encontrar ali o conforto, o amparo e respostas para suas perguntas. Carece de orientação evangélica, à luz do Espiritismo, e esse deve ser o papel da instrução dada nas reuniões públicas. Primeiro somos evangelizados para depois entrarmos no entendimento do pensamento kardequiano. Jamais entenderemos Allan Kardec, sem conhecermos os fundamentos dos ensinamentos de Jesus.
O trabalho de explanação da palavra divina ao povo é a mais grave tarefa da casa espírita e deve ser realizada por aqueles que têm um mínimo amadurecimento espiritual, conhecimento evangélico e doutrinário, além de conduta moral sadia como força de exemplificação.
A mensagem deixada deve despertar na criatura que a ouve o gosto pelas coisas espirituais, caso contrário será trabalho vão. Deve ser simples e objetiva, sem preocupações maiores com a forma, passando de maneira adequada os ensinamentos de Jesus à luz da Doutrina Espírita. Precisa encaminhar sempre o indivíduo à reflexão, ao conhecimento de si mesmo, única forma de motivar mudanças de posturas. Palestras com temas doutrinários complexos, ou aquelas onde predominam as historinhas dos livros psicografados, ou ainda as que são permeadas pelos exemplos pessoais de quem fala deveriam ser deixadas de lado, pois são carentes do essencial que mobiliza a criatura para a busca do conhecimento.
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